quinta-feira, 28 de junho de 2012

Um quadro de sorrisos



Manhã de sol, brisa leve e cheiro de torta de limão no ar. Isso indicava que era terça-feira, dia de tortas fresquinhas na padaria da esquina quinze. Gosto de passar por ali, há um ambiente agradável, mpb calminho, pessoas lendo e chá de hortelão. O melhor chá de hortelã do mundo! Caminhei por perto e vi a famosa plaquinha: Keep calm and coma tortinhas. Gargalhei! Olhei para o céu e ele parecia mais brilhante do que o normal. Sorriso amarelo surgiu no meu semblante de novo e todo tonto....
Meus pensamentos estavam longe àquela manhã, tinha uma hora livre até chegar ao ateliê, então aproveitei pra me esvaziar um pouco e ao caminhar distraída, meio olhando para o céu, meio olhando pra rua, acabei vendo meu reflexo na vitrine da floricultura. Reparei que estava com olheiras e um penteado ridiculamente engraçado. Sorri ao ver Senhor Joaquim acenar para mim com um buquê de rosas brancas em suas mãos. Suspirei, e devolvi um aceno desengonçado. Caminhei até a praça principal e encontrei alguns palhaços colorindo aquela manhã, pintados, saltitantes, abertos de amor e alegria. Tudo tão diferente daquela rotina corrida e apressada. Observei os sorrisos espalhando no ar, consegui cheirar o bonito da alma das pessoas. Que belo, e isso me arrancou sorrisos tortos, bem tortos! No meio daqueles palhaços me chamou atenção um menino que estava fascinado pelos balões de gás hélio, todos tinham formato de animais de zoológico. E puxa, seus olhinhos brilhavam. E eu o entendo, aqueles balões eram mesmo maravilhosos. Vi que ele queria muito um daqueles, eu senti, mas a mulher que estava com ele, parecia-me sua mãe ela o negou e estava puxando-o loucamente para longe. Impulsivamente meu coração bobo falou mais alto que minha razão, corri para alcançá-los. Ao chegar perto do menino, um pouco ofegando e desajeitada, sorri dizendo: Hei pequeno, queres um daqueles grandões lá? - Apontei para o leão. E a cena que discorreu naqueles minúsculos minutos me arrancou sorrisos largos pelo resto do dia.

Cheguei ao ateliê com algumas sacolas da fruteira, três tintas de tons amarelos, um cartão de aniversário para entregar junto com o presente no jantar à noite com o meu pai, um botton no suéter que acabei ganhando dos palhaços, escrito: fiz nascer um sorriso de alguém hoje e uma margarida acanhadinha que encontrei perto do banquinho do trem. Comecei meu dia feliz. Totalmente alta astral, liguei o rádio e estava tocando uma orquestra de violinos e pianos muito famosa da cidade.
Peguei uma tela em branco, as tintas tons pastel da minha bolsa, um azul bebê, verde musgo, vermelho vibrante que estavam na prateleira, coloquei tudo na paleta de cores.
Peguei os pincéis e iniciei a pintura. Inspirei e respirei, olhei para o céu várias vezes. Sorri, vieram lágrimas e mais sorrisos. Ao cair à tardinha, quatros horas da tarde, me vi abraçada com a pintura acabada, brilhante e vibrante das cores. A figura de um menino com um balão de leão. Sorrisos das pessoas, os palhaços, o céu brilhante, as flores. Tudo ali, em um só dia. Tudo ali transformado em um belo e grande sorriso, uma pintura sorridente!

3 comentários:

  1. Heey Sarah linda! Que saudade de te ler, menina. Caminhei junto com a personagem, encontrei os palhaços, os balões com forma de bichos e sorri junto. Que escrito mais encantador. Nhw! Assim como você, é claro. Sinto saudades, viu?
    Um beijo e um abraço bem apertado.

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  2. Sua escrita nos puxa pra dentro da história. E nada é mais gostoso do que viajar na nossa imaginação junto com as palavras de alguém, assim como aconteceu agora com as tuas. Seu blog está lindo, estarei sempre aqui.

    Beijos, Letícia.
    http://wesoldiersoflove.blogspot.com.br/

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